segunda-feira, 12 de março de 2012

Coragem

Coragem: 1. Bravura em face do perigo; 2. Intrepidez, ousadia; 3. Resolução, franqueza, desembaraço; 4. Perseverança, constância, firmeza. (Aurélio)

Coragem é assumir-se como é, com as virtudes e defeitos, e não ter vergonha de compartilhá-los com quem te quer por perto, é o empenho em modificar para lutar por aquilo que se deseja, para ser sincero consigo e com os outros, para não desistir fácil, para procurar ajuda no colo de quem se importa...  E por que falo sobre isso? Porque mais uma vez, meu coração emburrece. Apaixonei-me novamente, acreditei em suas palavras. Aquela conversa sobre aproveitar oportunidades, de estar no lugar certo no momento certo, do encontro... parabéns pela bela interpretação! Agi como tolo, pois acreditei no seu carinho e nos seus desejos, e em tudo o que você me disse. Como pôde mudar tão rápido seus sentimentos, como pôde me fazer acreditar em algo que, alguns dias depois, você disse não estar preparado para enfrentar? Será apenas uma desculpa pueril, ou há verdades não-ditas? Mereço mais do que palavras ditas da boca pra fora, sem significado. Sinto como se tudo agora soasse falso.  Seus sinais me levaram a crer que eu não deveria frear meus sentimentos; meus amigos alertaram “não vá com tanta pressa, tudo é ainda recente”, porém você me fazia acreditar que eram eles quem estavam enganados. No fim das contas, fui eu quem me enganei.

(Danillo Barros)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

O Cafetinando deseja a todos um FELIZ E ABENÇOADO NATAL, com muita paz e muito amor. Que esses sentimentos possam valer não apenas hoje ou amanhã, mas durante todo o ano. Sabemos que nem sempre é fácil, mas esperamos que o Menino Jesus, o Deus feito homem, com toda sua humildade, possa fortalecer o carinho e união em nossas famílias!!
Jesus, criança nascida de Maria, que foi colocado por José em uma manjedora, local onde os animais se alimentam, quer ser o nosso alimento, o nosso Pão da Vida. Envolto em faixas ao nascer,  deixa suas faixas no túmulo onde foi sepultado após a sua ressurreição! Do ventre de uma mulher, se faz nosso irmão e, com isso, nós, que já éramos imagem e semelhança de Deus, somos também filhos de Deus! Quanta grandeza representada em um simples presépio!!
Despeço-me hoje ao som de "Adeste Fidelis". Boa noite e boas festas!!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eu Luto Pelo HUAP!

Hoje pela manhã acordei e resolvi escrever, não que estivesse com tempo sobrando, mas porque estava indignado com a falta de foco das matérias publicadas na mídia sobre a manifestação dos estudantes da UFF (grupo do qual faço parte), reivindicando melhores condições para o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), hospital-escola da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Por que devemos lutar por um serviço público de qualidade? Como me disseram, em resposta àqueles quem pagam seus Planos de Saúde (mais os impostos ao governo) e reclamam da mobilização: "pagar duas vezes e não cobrar pelo serviço se chama imbecilidade". Segue abaixo o meu texto:

Manifestação em frente ao HUAP, dia13/12.
Parte da população não apoiou a manifestação dos estudantes da UFF pelas melhorias no serviço do Hospital Universitário, alegando que era uma grande baderna, que criamos caos no trânsito (nós, ou a cidade que não tem infra-estrutura?) e que só pensamos no nosso emprego público, além do fato da maioria da população já ter plano de saúde e não necesitar do HUAP. Esses comentários são dolorosos, pois tudo que queremos é que nosso hospital tenha condições de atender bem a população; não é nosso emprego que está em jogo, mas sim na saúde da cidade. Talvez a maioria das pessoas no mundinho "zona sul" tenha plano de saúde sim, mas quem fala isso não tem a menor noção da realidade de uma cidade grande, da quantidade de gente sem condições de pagar pela saúde. Ontem eu estava atendendo no ambulatório, e pude ver  a frustração nos olhos de um paciente, que estava na FILA PARA CIRURGIA PELO SUS HÁ TRÊS ANOS, ao ouvir do médico "não podemos marcar novas cirurgias". Isso é REVOLTANTE!!! Não posso esperar nada do diretor do HUAP, nem do Magnífico(?) Reitor da UFF, nem do prefeito de Niterói... e mais triste ainda é não poder contar com o apoio da população, que deveria ser a principal interessada, e nem com a ajuda da mídia, que se interessa mais pelo trânsito do que pela Saúde Pública... Deixo aqui meus sentimentos de indignação e tristeza, mas também a esperança de que as coisas possam melhorar. Há cinco anos, quando entrei, com muito orgulho, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, via o HUAP como um lugar onde eu iria ter as mais incríveis experiências médicas, e me orgulhava de ter um Serviço de Emergência funcionando bem. De lá pra cá, as coisas só foram piorando... E, por isso, EU LUTO PELO HUAP, meu hospital, que sei que não é perfeito, mas é muito querido por mim e por todos os estudantes da UFF que se utilizam dele no caminho para se tornarem os profissionais de qualidade que anseiam ser! Força, pessoal, não vamos desistir! Nossa voz terá que ser ouvida! Paz e bem.

(Danillo Barros)

sábado, 22 de outubro de 2011

Presença

Sua ausência é a presença
Que se apresenta sob dor
Pesar, melancolia, esperança
No vazio que você deixou.

No lugar a que você era dedicado
Agora está sua ausência
Que se faz presente, tão firme.
E, de tão firme
Me faz pensar:
“O vazio é lenda,
Já que, afinal, é a presença
Da saudade que aqui ficou”.

(Danillo Barros)

domingo, 24 de abril de 2011

A Passagem

Encontrei este poema na internet, e resolvi compartilhar com vocês:

Páscoa?
Quantas já comemoramos e passamos?

- Passamos, não mudamos
passou o feriadão
passou a festa
passou o jejum
passou a penitência
passou o encontro
passou a mensagem
passou a “passagem”...

- Passamos, não mudamos
não passou a escuridão
não passou a guerra
não passou o ódio
não passou a injustiça
não passou a ganância
não passou o individualismo
não passou o pecado...

- Passamos, não mudamos
Apenas molhamos os pés
nas águas do Mar Vermelho
Mas, fomos medrosos e impotentes
Para chegarmos ao deserto...
Oh! não comemos do maná!;
Assistimos chorosos
Ao drama do Calvário
Mas, não tivemos coragem
De defender o injustiçado;

Discursamos vibrantemente
Sobre a miséria social
Sobre a cruz cruel
Mas, “lavamos as mãos”;

Adoramos Jesus, o Cristo
Mas, não entramos no sepulcro
Das nossas próprias fraquezas
Para enterrarmos nossas vaidades
E, humildemente, nos re-erguermos
Irmanados a outros tantos
Desconhecidos e decaídos;

Vibramos com a Ressurreição
Cantamos alegremente o Aleluia!
Mas, os nossos lábios
Irônica e criticamente
Ainda expressam: “crucifica-o”...

- Passamos, não mudamos...

(Miguel José da Silva)

Infelizmente, muitas vezes essa é a nossa realidade. Não mudamos por ignorância, por medo, ou simplesmente por que nao nos é conveniente. Em meio a tanto sofrimento, a tantas dores e à tanta violência em nosso mundo, ficamos desacreditados. Desacreditados do ser humano, da vida, do amor de Deus. 
Mas Deus é bom demais, ele nos deu liberdade, e não soubemos utilizá-la. Servimos a nós mesmos, e não a quem está do nosso lado. No Antigo Testamento, Ele poupou do sacrifício Isaac, o único filho de Abraão, mas nao poupou Jesus Cristo, Seu único filho, para nos salvar e nos libertar da morte.
Que possamos tirar do sofrimento algo de bom, que possamos renovar nossas esperanças em Deus, autor da vida e amor-maior.
Um Feliz e Abençoada Páscoa a todos!

Danillo Barros


domingo, 10 de abril de 2011

Fim


Confesso, me senti um pouco desnorteado. Foi um longo verão sozinho, pode ter certeza. Às vezes é difícil esquecer de tudo por completo, como se nada daquilo tivesse realmente existido. Tantas experiências, tantos fatos, tantos sentimentos...
Se agora ouço uma batida na porta, é apenas o vento. Se recebo alguma carta, apenas mais uma conta. Se o telefone toca, é engano.
E será que eu mereço? Alguém neste mundo merece a dor por amar? Sei que vai doer até cicatrizar por completo, mas o tempo faz milagres, como dizem. Percebo que, afinal, não sabia de tudo. Como vejo agora, esse fim foi importante para um processo de amadurecimento, de ambas as partes, acredito. É errando que se aprende, e é caindo que se levanta. Mas ninguém errou, necessariamente. Foi a vida que nos levou a caminhos diferentes, quando parecia que nossas estradas estavam se juntando para nos levar ao mesmo destino.
E agora que não somos mais "um", o que eu preciso é deixar você ir, da minha alma, meu coração... Ou que, no máximo, fique por lá, mas num lugar de difícil acesso para meu consciente alcançar. E é assim que tem que ser, eu sei. E independente de quão difícil for, estou certo de que ficaremos bem.

(Danillo Barros)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema das Mortes

São muitas mortes embutidas
Nas dobras de nossas vidas:
As metas inatingidas,
As amizades desfeitas,
As injustiças, as rejeições,
As incompreensões das mentes estreitas,
As tantas desatenções.
Existe morte, inclusive, na ilusão passageira!
São mortes muitas, antes da derradeira
Morre-se no desamar
E na dor do semelhante.
Morre-se a cada instante
Até mesmo de mal de amor.
Há morte no desencanto,
Quando seca o pranto
E o coração embrutece.
Ouso dizer!
A morte a teia tece
Naquilo que acontece
Ou deixa de acontecer.
A morte, enfim, traz consigo a desfaçatez:
Mil vezes a gente morre
Antes de morrer de vez.

(Lucia Moraes)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estação

Me contaram que você partiu para uma viagem.
E seu  trem que não mais retornaria à estação de onde  saiu.
Você se calou. 
Emudeci também.
As dúvidas suspensas no ar. 
Difícil acreditar no que eu jamais acreditaria.
Era madrugada. 
Estava escuro. 
Ficou escuro. 
Nuvens carregadas pairavam sobre minha cabeça 
Bloqueavam a claridade,
Obscureciam minha visão, antes tão colorida.

Nada parece justo 
Quando vemos nossos sonhos escapando de nós, 
Sem termos tempo de dizer adeus.
Impotentes.
Mas não descrentes da vida.

Doces lágrimas compartilhadas
Nessa estação que não pertence a ninguém.

(Danillo Barros)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Arquivos




Certa vez, quando era pequeno, resolvi fazer uma espécie de “mapa” do meu cérebro. Para mim, a mente era como um grande arquivo, cheio de gavetas abarrotadas de papéis contendo muitas e muitas informações. Na época, resolvi separar essa papelada em seções, organizadas de acordo com as atividades que eu precisava realizar (mas as tarefas infantis eram simples: fazer o dever de casa, jogar videogame, arrumar o quarto de vez em quando, jogar bola com os amigos). Dificuldade alguma, não é mesmo?

Hoje percebo que as coisas não são tão simples e que a nossa mente não pode ser tão facilmente organizada (só enquanto bato este texto no computador, mil pensamentos pululam na minha cabeça!). Quem dera ainda ter um olhar infantil sobre o mundo, acreditar em tudo que me diziam e não saber de nada... Infelizmente, não é assim que acontece. À medida que fico mais velho (tudo bem, “velho” é hipérbole), aumentam minhas experiências, sonhos e idéias malucas. E aquelas poucas folhas escritas (a maioria ainda em branco) vão se transformando em tantas que, quando olho, nem sei mais em que gaveta enfiar. Preciso de tempo e de paciência para pôr tudo no seu devido lugar, organizar meus pensamentos...

Colocar no lugar? Mas pra quê? Não vai ter ninguém vendo mesmo... Entretanto, talvez seja bom dar uma revisada em tanta informação, analisar os pontos positivos e negativos da minha vida.

Começo, então, a remexer nas minhas gavetas (as que consigo alcançar, pois algumas devem estar tão inacessíveis que apenas meu inconsciente será capaz de atingir). Vou abrindo-as, vou revivendo minha história, apenas minha, única, pois sei que ninguém é capaz de viver por mim, de controlar minha imaginação, de falar por mim! Eis que, conforme avanço nas profundezas do meu cérebro, lembro de que nem tudo são flores. Abri gavetas que não gostaria de ter aberto; outras, tento, em vão, fechar. Algumas eu nem recordava que estavam lá e, caramba... uma surpresa agradável, uma lembrança boa!

Talvez eu precise da ajuda de meus amigos ou de minha família para abrir, fechar ou procurar determinadas gavetas. De qualquer forma, é sempre bom ter alguém com quem se possa contar. Apesar de saber que sou o protagonista da minha vida, não posso construí-la sozinho.

Minha mente fervilha de pensamentos. Como já disse, não é fácil pôr tudo em ordem. Às vezes, o momento pelo qual passo parece formar um furacão que tenta acabar com qualquer possibilidade de organizar meu arquivo. Tantos papéis espalhados, uma confusão...

Como dizem, “após a tempestade vem a bonança”. Tenho mais uma oportunidade de colocar minhas idéias no lugar. Não vou reclamar de ter todo esse trabalho de novo. Pensando bem, que graça teria minha vida se tudo fosse uma utopia, se meus arquivos estivessem sempre em ordem? Que lugar teriam as emoções na minha alma? O que me ajudaria a crescer, a tornar-me mais forte, a sorrir quando os outros sentem prazer em assistir minha lamentação?

Minhas preocupações de criança já se foram, minha jornada sem volta para o mundo real já começou. O que fazer então? Agradeço a Deus pela oportunidade de continuar. Melhor se arriscar na aventura do viver do que ver meu corpo num caixão sendo devorado pelos vermes da terra. Que bom que bagunço minhas gavetas! Que bom ter a chance de rever tudo pelo que já passei, de procurar aprender com meus erros, de me descobrir, de inventar maneiras de ser mais feliz, enfim... de não deixar as minhas experiências se transformarem num “arquivo-morto”!

(Danillo Barros)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Silencia



Silencia.
Ouve tua respiração.
Ouve teu coração palpitar.
Ouve tua alma.
Há tanta coisa que não prestas atenção.

Sempre condicionado a olhar para o que está do lado de fora,
O que é palpável, visível, mensurável.
E esqueces da vida que se renova dentro de ti,
A cada inspiração,
A cada batimento do teu coração.

Tua alma tem sede,
Teu espírito tem fome.
Alimenta-os com o silêncio, com a poesia,
Com a percepção do espaço ao teu redor,
Com a beleza que os olhos não enxergam.

O maná que resplandece da natureza se manifesta à tua frente
Mas só é percebível ao silêncio interior.
Quietude.
Plenitude.
Descubra-te em teu silêncio.
Encontra-te em teu vazio.
Vazio cheio de vida, cheio de sons, formas e cores.
Teu vazio é teu.
A descoberta é tua.
Silencia, e escuta-te.

(Danillo Barros)